quarta-feira, 30 de novembro de 2016

PRESA MULHER CONDENADA A 50 ANOS DE PRISÃO PELA MORTE DOS PAIS EM BELÉM

A Polícia Civil prendeu, nesta segunda-feira, 28, Iraceli Barbosa Angelim, em cumprimento de mandado de prisão preventiva decretado pela Justiça. A prisão foi realizada por policiais civis da Seccional Urbana do Guamá, em Belém. Ela tem sentença condenatória de 50 anos de prisão, no ano de 2004, pela morte dos pais, em Ananindeua, na Grande Belém. O pai da presa era o investigador da Polícia Civil, Leonardo David Angelim da Cunha e a mãe Ana Antônia Amaral da Costa. O crime foi premeditado. Iraceli estava foragida desde o ano de 2012, após ser beneficiada com a saída temporária para passar o Natal com familiares, e não voltou mais ao presídio feminino de Ananindeua. 


Além do mandado de prisão por condenação da Justiça, ela tinha outros dois mandados de prisão por outros crimes. Conforme o delegado Daniel Castro, diretor da Seccional, ela foi encontrada em uma casa, na rua Caraparu, no Guamá, pela equipe de investigadores da unidade policial. A mulher foi conduzida ao Presídio Feminino em Ananindeua para cumprir a pena. Em 2008, o Conselho de Sentença do TJ do Pará condenou Iraceli Angelim pela morte dos pais. A sentença foi anunciada em plenário pelo juiz José Admilson Gomes Pereira, titular da 6ª Vara Penal da Comarca de Ananindeua, que fixou a pena em 50 anos de reclusão (25 relativo a cada uma das vítimas) a ser cumprida em regime inicialmente fechado. Foi negado à acusada o direito de recorrer da sentença em liberdade.

Conforme a sentença, o crime foi premeditado pela presa que praticou as mortes dos pais mediante paga de recompensa e sem dar chance de defesa às vítimas. Ainda, conforme a sentença, Iraceli foi reconhecida pelos jurados como autora intelectual do crime por ter facilitado o acesso de outros envolvidos no crime ao interior da residência do casal. Na sentença, consta que ela entregou aos comparsas as armas usadas no duplo homicídio. A pena foi fixada inicialmente em 20 anos para cada um dos assassinatos com agravante em doze anos (seis anos para cada vítima) pelas qualificadoras, no caso, crime mediante pagamento, motivo torpe e crime contra ascendente (pais) e atenuadas em 1 ano para cada vítima por ser, à época do crime, menor de 21 anos.

Iraceli foi denunciada pelo Ministério Público do Estado apontada como mentora do assassinato dos pais. Á época, as investigações apontaram que ela estaria grávida de um conhecido da família e por temer revelar a verdade aos pais, principalmente ao pai, que não aceitava o relacionamento, planejou o duplo homicídio. Ainda, conforme as investigações, ela manteve contato com um homem conhecido como Cosme, para matar os pais. Cosme indicou Fabrício Nogueira da Silva, que foi contratado por Iraceli por R$ 600,00 mais um aparelho DVD e um telefone celular, para cometer o duplo homicídio.

Acompanhado de um adolescente, Fabrício entrou na casa das vítimas, na noite de 18 de agosto de 2004. Na época, Iraceli fingiu à mãe estar passando mal e a levou para a cozinha da casa, onde Ana Antônia ainda chegou a dar um comprimido e um copo de água para filha. O pai dormia no quarto da casa na ocasião. Nesse momento, Iraceli empurrou a mãe em direção aos criminosos que já estavam dentro da casa e a levaram até lavanderia, onde Fabrício matou Ana Antônia a golpes de faca no pescoço. Ao todo, foram 17 facadas. Segundo os autos do inquérito, Iraceli participou do crime tapando a boca da mãe com um pano e dando ordem para Fabrício matá-la. Logo em seguida, Iracili deu sinal para que Cosme entrasse na casa. Logo em seguida, Fabrício teria atirado em Leonardo Angelim, que estava deitado na cama sob lençóis. 

No local do crime, a condenada tentou se passar por vítima e alegou que aos policiais que o pai teria matado a mãe e depois se suicidado. A versão foi derrubada durante as investigações que levaram em consideração a cena do crime e como os corpos foram encontrados. "Leonardo era destro, mas a arma foi encontrada ao seu lado esquerdo", informa a sentença judicial. Iraceli e os demais autores do crime foram presos cerca de quatro meses depois do duplo assassinato. Os três outros acusados já foram julgados e condenados, recebendo Fabrício a pena de 32 anos e, Cosme, de 35 anos, pelo duplo assassinato. O adolescente recebeu medida de internação.  

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