sexta-feira, 3 de junho de 2016

POLÍCIA CIVIL SEDIA OFICINA DE MULTIPLICADORES PARA PREVENÇÃO E COMBATE À VIOLÊNCIA SEXUAL E BULLYING

A Polícia Civil sediou, nesta quinta-feira, 2, uma oficina destinada à capacitação de agentes multiplicadores para Prevenção e Combate à Violência Sexual e Bullying contra crianças e adolescentes de escolas públicas e privadas. O evento realizado no auditório da Delegacia-Geral foi resultado da parceria entre Polícia Civil e a Fundação Pro Paz e contou com as presenças de mais de 80 professores e coordenadores de 27 escolas de Belém, e servidores públicos do Estado. O objetivo do encontro é formar um programa para agentes multiplicadores de prevenção à prática de bullying nas escolas de todo o Pará.

A delegada Vanessa Lee, titular da Divisão de Prevenção e Repressão a Crimes Tecnológicos (DPRCT), explica que a oficina é a primeira parte de um projeto de prevenção e enfrentamento ao Ciberbullying iniciado em fevereiro deste ano, após a entrada em vigor da Lei 13.185, promulgada em 2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) voltado às comunidades escolares no Brasil. "A partir da lei, elaboramos e apresentamos o projeto que visa a capacitação continuada para que as crianças e adolescentes possam usar a internet de forma segura", explica. Após as palestras, detalha a delegada, o próximo passo será reunir com os professores e coordenadores de escolas públicas e privadas para manter um canal de diálogos permanente. Ainda, conforme a policial civil, os educadores receberão cartilhas e mídias com orientações e assuntos debatidos na oficina.

Segundo o presidente do Pro Paz, Jorge Bittencourt, atualmente, 87% dos casos de violência sexual atendidos pela Fundação envolvem pessoas com vínculo familiar com as vítimas. Diante desse dado, destaca Jorge, faz-se fundamental o engajamento de toda a sociedade em prol do enfrentamento a esse mal que aflige as famílias. O mesmo pensamento é seguido pela secretária extraordinária de Integração de Políticas Sociais do Governo do Estado, Isabela Jatene. "Precismos discutir a família e os modelos de família, e as formas de quebra da relação familiar", destaca. Para ela, é de fundamental importância o envolvimento das escolas públicas e privadas nessa discussão.

Já o delegado-geral, Rilmar Firmino, destaca a importância do trabalho social desempenhado atualmente pela Polícia Civil, por meio da Diretoria de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAV), unidade responsável em prestar atendimento de Polícia Judiciária a casos que envolvem violência sexual contra crianças e adolescentes. "O que temos hoje no Pará é uma Polícia Civil preventiva e proativa, com diretoria própria para tratar de casos de violência sexual", destaca. A DAV foi criada no ano de 2012.

Para a juíza de Direito, Monica Fonseca, da Vara de Crimes Contra Crianças e Adolescentes da Capital, o debate sobre a violência sexual, principalmente quando ocorre no meio familiar, é fundamental para que a sociedade esteja consciente de seu dever em proteger os jovens. "Quando o padrasto é o agressor, muitas vezes a vítima - criança ou adolescente - não tem a quer recorrer e a mãe acaba por se sentir culpada pela violência sexual sofrida", destaca. Também presente no evento, a promotora de Justiça do Ministério Público do Estado, Monica Nogueira, destacou que atualmente parte significativa dos processo em andamento são referentes a violências contra crianças e adolescentes no lar. "Hoje, tramitam 680 processos dessa forma de crime no MP. E estima-se que, de 10 a 20 casos, não chegam ao conhecimento das autoridades", avalia.

ASSINATURA DO TERMO DE COOPERAÇÃO
Durante o evento, foi assinado um Termo de Cooperação entre a Fundação Pro Paz, a Polícia Civil e a Telefônica Vivo. Por meio dessa parceria firmada, a operação de telefonia celular passa a fazer parte da ação estadual de prevenção e enfrentamento à violência sexual. A previsão é de enviar gratuitamente 1 milhão e 200 mil mensagens do tipo torpedo, nos meses de junho e julho, para celulares da operadora de DDDs 91, 93 e 94, com a frase "Polícia Civil e Vivo juntos no combate à violência sexual de crianças e adolescentes e crimes virtuais. Denuncie. Disque 181". A relações públicas da telefônica, Olenita Paes Barreto, explica que, no Pará, a Vivo está presente em 106 municípios (73,61% do estado), sendo 95 em 3G. A capacitação teve a coordenação da Academia da Polícia Civil (Acadepol) com certificação dos participantes a ser emitida pelo Instituto de Ensino de Segurança do Pará (IESP).

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