terça-feira, 12 de novembro de 2013

QUADRILHA ENGANAVA VÍTIMAS PARA TROCAR CARTÕES NO MOMENTO EM QUE VÍTIMAS USAVAM CAIXAS ELETRÔNICOS

Os integrantes da quadrilha presa, nesta terça-feira, 21, em Belém e Ananindeua, tinham como forma de atuar a abordagem, principalmente, de idosos, nas filas dos Terminais de Autoatendimento Bancário, os chamados caixas-eletrônicos. Os criminosos se aproveitam dessas pessoas, conquistavam a confiança delas, oferecem-se para ajudá-las no acesso ao caixa eletrônico, para fazer a troca dos cartões bancários. Depois, eles desbloqueiam os cartões e fazem pagamentos com boletos bancários com os cartões furtados. Aos finais de semana, a quadrilha costuma viajar para outros estados da federação, para também praticar os golpes em caixas eletrônicos para não serem reconhecidos na cidade, nem em câmeras de segurança. Após obter os cartões das vítimas, os membros da quadrilha clonavam (copiavam os dados) os cartões bancários, geralmente, no próprio hotel da cidade em que se hospedavam. Para isso, eles usavam um computador, do tipo “notebook”, e um aparelho leitor de trilha magnética (“Card Skimming”), popularmente conhecido como "chupa-cabra". 

POLICIAIS FAZEM PROCEDIMENTOS DE PRISÕES E APRESENTAM MATERIAL APREENDIDO
Os equipamentos eletrônicos eram acionados por meio de um programa de computador (“software”) conhecido como “Mini 123”, que grava os dados em um cartão virgem sem chip, que depois era usado para efetuar os saques, transferências e pagamento de boletos bancários. A DPCRT também identificou, durante as investigações, que a quadrilha agia em municípios do Pará, como no sul e sudeste do Estado, e em outros Estados das regiões Norte e Nordeste, preferencialmente nas cidades de Manaus, Macapá, São Luiz, Teresina, Ceará, Aracaju, Natal e Recife. Também há registros de ações da quadrilha nas cidades de São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Campinas, no interior paulista, e em Teresópolis, no Rio. 

Apesar da complexidade da atuação da quadrilha, foi possível apontar qual a atuação de cada um dos envolvidos. “Baiano", "Gago", Márcio e um quarto envolvido foragido saíam cedo de casa, por volta de 6 horas da manhã, para ficar em filas de caixas eletrônicos com objetivo de se aproveitar da ingenuidade de clientes, principalmente, de idosos, no momento em que sacavam dinheiro da aposentadoria. Era, nessa ocasião, que trocavam os cartões bancários por outros já usados. A quadrilha contava com mulheres que também se ofereciam para ajudar as vítimas para conseguir subtrair as senhas eletrônicas. “Baiano”, depois, assediava para fornecer as próprias contas bancárias com os cartões, para receber o dinheiro transferido das contas das vítimas. 

Ele era responsável ainda em fazer o desbloqueio dos cartões, com uso de equipamento de leitura e gravação de trilhas de cartões (“chupa-cabras”), por meio de um programa de computador, com o qual alterava as trilhas do cartão e conseguia fazer o desbloqueio, para, então, poder usá-lo em compras em lojas de departamentos. O outro envolvido com o bando, Samuel Lucas de Sousa, especialista em “chupa-cabra” e no software “mini 123”, conseguia alterar as trilhas dos cartões e desbloqueá-las, para, em seguida, efetuar compras, em lojas de departamentos. Ele junto com “Baiano” e “Gago” já cometeram o crime em cidades do Brasil, como São Luís, Teresópolis (RJ), Recife, entre outras. 


Samuel utilizava o próprio notebook para alterar trilhas de cartões bancários com chip e, posteriormente, gravar em um cartão virgem, sem chip, para burlar o sistema de segurança do caixa eletrônico, que fazia a leitura como se fosse um cartão sem chip. Igor Fagner dos Santos Machado também é especialista em “chupa-cabra”. Ele também agia no aliciamento de pessoas (laranjas) para obter contas correntes emprestadas para as transferências ilegais de dinheiro. Já Rosemary Machado junto com a irmã Rozana eram responsáveis em fazer saques das contas das vítimas em caixas eletrônicos localizados, geralmente, em postos de gasolina. 

Por sua vez, Quilder Valadário fazia o pagamento de boletos, desbloqueio de cartões de outras pessoas, compras e saques. Era o responsável em conseguir contas correntes de outras pessoas para receber valores em dinheiro adquiridos com a fraude. Quilder oferecia um percentual em dinheiro ao dono da conta recebedora do valor desviado. Márcio Freitas, outro preso, também assediava pessoas para fornecer suas contas bancárias e os cartões do banco, para transferência do dinheiro desviado. Ele viajava regularmente para o interior do Pará e para outros Estados para adquirir os cartões bancários. As investigações continuam para localizar e prender os demais envolvidos com a quadrilha. Após o final da operação, os presos foram ouvidos em depoimento, na sede da Delegacia-Geral, e transferidos, ao final da manhã, para unidades do Sistema Penitenciário do Pará. Eles irão responder por furto mediante fraude; estelionato; formação de quadrilha e falsificação de cartão de crédito, crimes previstos no Código Penal.

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