terça-feira, 12 de novembro de 2013

POLÍCIA CIVIL TRANSFERE DE BRASÍLIA O EX-PREFEITO PRESO COMO MANDANTE DE MORTES EM TOMÉ-AÇU NO PARÁ

A Polícia Civil transferiu, na madrugada desta terça-feira, 12, de Brasília (DF), para Belém, o preso Carlos Vinícios de Melo Vieira, um dos indiciados como mandante das mortes do advogado Jorge Pimentel e do empresário Luciano Capácio, em março deste ano, em Tomé-Açu, nordeste paraense. A chegada do acusado ocorreu, por volta de 04h30, no Aeroporto Internacional de Belém, sob escolta de policiais civis do Grupo de Pronto-Emprego (GPE). Ex-prefeito de Tomé-Açu, ele foi preso, na segunda-feira, pela manhã, quando caminhava pela área comercial da capital federal. Após o desembarque, o preso foi conduzido em uma viatura até o Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, onde passou por exame de corpo de delito. Depois do exame, ele foi conduzido pelos policiais até o presídio Centro de Recuperação Penitenciário do Pará I (CRPP I), onde está recolhido à disposição da Justiça do Pará. 

EX-PREFEITO É TRANSFERIDO PARA BELÉM
Vieira tem mandado de prisão preventiva decretado pela Justiça em função de indiciamento em inquérito policial apontado como um dos mandantes do duplo homicídio ocorrido em 2 de março deste ano. Por ter curso superior em Gestão Empresarial, o acusado tem direito por lei à cela especial. De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Rilmar Firmino, a equipe de investigação policial já tinha informações de que o acusado tinha um flat (apartamento), em Goiânia, capital de Goiás, e eventualmente ia até Brasília, de carro. O delegado explica que, desde março, Carlos Vinícios passou por cerca de seis estados brasileiros diferentes. "O fato de ter condições financeiras para se deslocar constantemente de uma cidade para outra dificultou a localização dele, mas não impediu que fosse encontrado pela Polícia Civil do Pará", explica. 

Ao ser abordado por policiais civis do Pará, logo após ter deixado o carro em um estacionamento, na área comercial de Brasília, detalha o delegado-geral, o acusado não esboçou reação e manteve-se tranquilo, pedindo apenas para fazer um telefonema para o advogado, o que foi autorizado. O ex-prefeito deverá ser ouvido, em depoimento, até a próxima semana. Os relatos serão encaminhados em autos apartados ao Poder Judiciário. O delegado-geral ressalta que, desde a época do crime até a prisão de Carlos Vinícios não faltou empenho da Polícia Civil para prender os envolvidos no duplo homicídio. "Desde o final de março, quando a Justiça do Pará decretou as prisões dos indiciados, as investigações não cessaram visando o cumprimento dos mandados de prisão", garante. 

VIATURA EM QUE PRESO FOI CONDUZIDO
A prisão do ex-prefeito não encerra as investigações, que continuarão com objetivo de localizar e prender o outro indiciado como mandante do crime, Carlos Antônio Vieira, pai do ex-prefeito, também com ordem judicial de prisão. Dois dos três executores das vítimas - Wellington Ribeiro Marques, 37 anos, de apelidos “Teco” ou “Neném”, e Carlos André Silva Magalhães, 27, de apelidos “Tico” ou “Andrezinho” - permanecem presos. Um terceiro executor, o cearense Davi Paulino dos Santos, de apelido "Cavalinho", está foragido. 

NA PRIMEIRA FOTO, CARLOS ANTÔNIO (MANDANTE). LUCIANO CAPÁCIO E JORGE PIMENTEL (VÍTIMAS)
Outra pessoa, apontada como intermediário na contratação dos pistoleiros, empresário Raimundo Barros de Araújo, conhecido como “Raimundinho”, também está com mandado de prisão decretado e ainda foragido. Wellington e Carlos André, indiciados como executores das vítimas, foram presos em 17 de março deste ano, por policiais civis, na rodovia BR-316, em Gurupi, na divisa do Pará com o Maranhão. Na época do crime, o então prefeito de Tomé-Açu solicitou licença da Prefeitura Municipal e se ausentou da cidade, não sendo mais visto. Em julho, a Câmara Municipal de Tomé-Açu decidiu pela cassação de Carlos Vinícios do cargo de prefeito. 

DELEGADO-GERAL RILMAR FIRMINO
EMPENHO Ainda, segundo o delegado, o mesmo empenho mostrado para prender os envolvidos nas mortes do advogado e do empresário, em Tomé-Açu, está sendo dispensado a outros casos de crimes que vitimaram advogados no Pará. A exemplo da morte do advogado Fábio Teles Santos morto em 21 de julho de 2011, em Cametá, no Pará. A Polícia Civil já prendeu todos os envolvidos no caso que deverá ir a júri popular ainda este mês. Um dos presos, José Maria Mendes Machado, é apontado como mandante do assassinato e foi preso em 16 de maio do ano passado, em João Pessoa, na Paraíba, pela Polícia Civil do Pará. Os outros cinco homens envolvidos no crime - Rosiverson de Souza Almeida, de apelido “Passat”; Gleisson Araujo, de apelido “Cauboi”; Luzimar Pereira Miranda; José Orlando Trindade de Oliveira e Victor Eduardo Oliveira Moreira, de apelido “Vitinho” - foram presos em julho e agosto de 2011. Três dias após o crime, em 24 de julho de 2011, a Polícia Civil prendeu quatro dos seis envolvidos no assassinato do advogado. 

Outro caso de repercussão foi a morte do advogado Luigi Vasconcelos Freire e a tentativa de morte do pai dele, Luiz Carlos Freire, em setembro deste ano, no bairro de Nazaré, em Belém. Em outubro, o casal Sidneis Vieira dos Santos e Leiliane da Silva Cutrim, conhecida como Leila, indiciados por envolvimento no crime, foram presos, em uma área de invasão, na periferia do município de Tucumã, sudeste do Pará. Os dois presos estão com mandados de prisão temporária decretada pela Justiça paraense. O crime foi resultado de uma tentativa de roubo à casa das vítimas. As investigações prosseguem para prender um terceiro envolvido. O crime mais recente contra advogado, cuja vítima foi Dácio Antônio Gonçalves Cunha, em Parauapebas, sudeste do Pará, está com as investigações adiantadas. Uma equipe da Divisão de Homicídios, sob comando do delegado Gilvandro Furtado, com apoio da Seccional Urbana de Parauapebas, trabalha diuturnamente para esclarecer o crime e prender os envolvidos.

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